Após a união estável entre homossexuais ser aprovada em maio pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e das declarações homofóbicas realizadas em rede nacional pelo deputado Jair Bolsonaro, o tema da luta LGBTT voltou a ser discutido pelo País.Criado em 1975 como movimento homossexual, o agora movimento LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - veja abaixo a explicação sobre a sigla) é um grupo político organizado que busca garantir o direito à livre expressão da orientação sexual, combater a discriminação e promover a cidadania igualitária para todos os membros da sociedade (confira também um pouco sobre a PLC 122 no box abaixo).
“A Constituição Brasileira diz que todos são iguais perante a lei, mas você percebe que existem cidadãos de 1ª classe e de 2ª classe”, diz o diretor do Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), Adriano Caetano. A luta LGBTT é para que todos tenham os mesmos direitos, sem ter a obrigação de seguir a heteronormatividade, que, na definição de Cathy J. Cohen, é o estabelecimento de práticas e a instituições "que legitimam e privilegiam a heterossexualidade e relacionamentos heterossexuais como fundamentais e 'naturais' dentro da sociedade”.
A Identidade LGBTT
A defesa da diversidade LGBTT está ligada à identidade sexual pela qual eles se reconhecem. Eles lutam pelo reconhecimento da pluralidade e das várias experiências de sexualidade existentes.
A comunidade homossexual não é formada por apenas um tipo de identidade. Ela é diversa na sua própria diversidade, pois é composta pelo masculino e feminino nas variadas formas de identificação sexual. Gays e lésbicas assumem o sexo biológico, porém travestis e transexuais se identificam como pertencentes ao sexo oposto, por isso não se consideram homossexuais de fato e se utilizam de nomes sociais. Os bissexuais, por sua vez, podem estar inseridos nos dois grupos.
Grupos de Resistência
Visando à garantia de seus direitos, ao combate da homofobia e ao auxílio na busca de uma cidadania efetiva, a comunidade LGBTT criou vários grupos de resistência para dar voz e visibilidade ao movimento(Saiba mais sobre a Parada Gay no box abaixo).
“Tudo tem que ser no grito, não adianta mais só o diálogo”, conta Paula Costa travesti membro do Grupo de Resistência Flor de Mandacaru, de Caucaia. “Todo mundo unido grita junto, mas se eu gritar sozinha ninguém me ouve”, afirma ela sobre a importância dos grupos.
Tais grupos objetivam politizar a causa homoafetiva e amparar seus membros, dando apoio jurídico, psicológico e profissional.
- SIGLA
Após a popularização, o movimento homossexual passou a ser conhecido como GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes), mas atualmente a sigla mudou para LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros). A alteração da nomenclatura do movimento se deve ao reconhecimento do movimento feminista e à necessidade de englobar as outras identidades sexuais, uma vez que travestis e transexuais não se identificam com o sexo biológico e o termo homossexual se refere somente ao gay homem.
- PROJETO DE LEI DA CÂMARA (PLC) 122/2006
Criado pela Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLTT), o PLC 122 deverá ser uma emenda à Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, definindo crime a discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. As penas para quem for acusado de tais crimes variam de um a cinco anos de reclusão podendo haver ou não pagamento de multa.
- PARADA GAY
No dia 26 de junho, aconteceu em Fortaleza a XII Parada pela diversidade sexual do Ceará. Organizada pelo Grab, a “Parada Gay” visa divulgar para a sociedade a luta pelos direitos LGBT. Este ano a bandeira a ser levantada foi a aprovação do PLC 122/2006.
